Depois de um fim-de-semana de congresso, de não sei o quê na Madeira e de saber que os islandeses não querem pagar o champagne que beberam, resolvi aproveitar o resto de domingo e reler O Fim, de António Patrício. Quando há vinte anos li pela primeira vez os livros do autor, que publicou esta peça pouco tempo antes do fim da monarquia constitucional, não consegui perceber este sentimento de apocalipse que sobressai de palavras como estas — "Há oito dia já, não existimos ...; desde que os representantes dos nossos credores, reunidos em conferência internacional o decidiram. Pois bem: o conselho reuniu hoje... Tratou-se de ir, o mais polidamente possível, à despedida dos embaixadores, que receberam ordem dos governos para partir...; calculou-se a hora a que chegarão, para tomar posse de nós, as esquadras estrangeiras...; e alguns dos meus colegas, prevendo um protectorado moderno, no espírito da nossa civilização, dizem constar-lhes: que além da rigorosa administração da fazenda que foi nossa, nada sofreremos... Vão dar-nos mesmo um parlamento. Só não existimos... De resto, um parlamento póstumo ...
domingo, 10 de abril de 2011
O Fim
domingo, 13 de março de 2011
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
o próximo acto
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
esta crise que nos molesta
Se Ricardo Araújo Pereira nos viesse dizer que os tempos estão difícies, mas mesmo assim não será isto o fim dos tempos, seria simpático. Mas será que o seguiríamos como os americanos fizeram com Jon Stewart?
Será que isto não é o fim do mundo, mas o fim dos políticos?
Será que a sociedade é já de tal modo perfeita que já não se justifica a existência de políticos e que nos chega o conforto dos cómicos para fazermos o que o poder económico espera que façamos?
sábado, 30 de outubro de 2010
Esta crise que nos molesta
Da primeira visita do FMI não tenho grande lembrança, a não ser o rombo que as restrições às importações vieram causar na minha colecção de polos Lacoste, pullovers coloridos e calças de ganga americanas.
Eu sonhava, naquele tempo, com uma sociedade justa em que andariamos todos de uniforme de caqui e gola à Mao, assim sendo, o FMI até que poderia servir para acelerar o processo.
Da segunda visita lembro-me, se bem que não consiga precisar o dia em que Teresa Ter-Minassian aterrou em Portugal. Não tenho grandes queixas, ainda para mais sendo eu uma pobre funcionária pública não me contemplaram com o famoso Certificado de Aforro (para aí da classe A), que a esta hora já valeria 5 ou 6 vezes mais. Não senhor, recebi na tesouraria o dinheirinho e gastei-o em coisas que certamente agradaram ao meu gosto de escriturária-dactilografa.
Para a próxima vou estar de olho nos Kamones que hão-de vir para ver o que vai acontecer. Não ao meu pecúlio, nem ao meu pré, mas à tentativa de tornar este país habitável.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
e-migrar
Deveria ter emigrado, mas não o fiz. Não foi preciso. Achei que poderia interromper os estudos, começar a trabalhar e depois logo estudaria, porque o que era urgente era tornar-me independente. Mas não, aos 22 anos tornei-me funcionária pública, uma coisa que hoje está ao mesmo nível que ser cigano em França ou judeu na Polónia, no tempo da guerra.
Nos idos de oitenta ser funcionário público não era nada, pois estavam ainda muito presentes os tempos em que eramos poucos e mal pagos. Nos idos de noventa começámos a ser mais, mas ainda mal pagos. A sociedade já se dava conta da nossa existência e olhava para nós como cretinos inábeis incapazes de ganhar o “bom” dinheiro que se ganhava no privado saltando de sucesso em sucesso.
Agora desde 2000 somos os palhaços da festa, custamos dinheiro, somos muitos (de quem será a culpa?) e querem o nosso lugar.
É lamentável que quem nos governa e quem nos quer governar não consiga ultrapassar a sua incompetência a não ser culpando uma ou outra classe. Mas tal como eu sei, eles também sabem, que um grupo é apenas a ponta do iceberg.
Os jornalistas e os políticos não param de incutir ódio sobre nós, mas não serve de muito porque nós pagamos impostos como toda a gente (e eu pago há trinta anos, e se me deixarem pagarei mais 18 anos, com muito gosto), e não é possível, digo eu a não ser que nos enviem para um arquipélago de “goulash”, pois, como qualquer trabalhador, nós se formos despedidos mereceremos indemnizações, subsísdios de desemprego, whatever, ou não? Era mais fácil, mas a vida é como é, e nem sempre é fácil.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
boas notícias
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
esperança, sucesso e felicidade
sábado, 25 de setembro de 2010
espreitar pela janela
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
castanheira do ribatejo
Quando estou no apeadeiro acho graça à voz que anuncia aos senhores passageiros que o comboio que lá vem há-de parar em Castanheira do Ribatejo. Nunca lá fui, mas chega-me a imagem que vem pela escrita da Ana de Amsterdão, um blogue que vou seguindo à medida do meu tempo e da vontade dela.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
andar em contramão
Pois não sei, talvez seja, talvez não.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
U, W, L
terça-feira, 24 de agosto de 2010
creme nivea

quarta-feira, 16 de junho de 2010
o tempo passa a correr
O tempo voa. Ainda ontem os adeptos festejavam alegremente a vitória inebriante da selecção nacional. E foi de tal modo inebriante que hoje, só com muito custo, consegui entender os discursos que por aí andam sobre o emprego.
O jogo, ou a guerra, a partir de agora, parece que será entre quem está empregado e quem não está. Ainda agora, ouvi um senhor muito janota, mesmo assim pró queque, esclarecer-nos que se todos tivermos um bocadinho de emprego é melhor do que se formos estúpidos e quisermos o emprego só para nós.
Enjoo, não sei se a minha boa disposição resistirá a tanto. Desde que há homens inteligentes que parece que andam a tentar evoluir para que pisar a terra do planeta não tenha de ser um acto doloroso. Mas agora as homens que têm o Poder de dar emprego querem repor alguma ordem que andou perdida, ainda que tenha sido só um século (o que também não é um direito que possamos arrogar assim de tão adquirido, dizem). Foi se calhar, digo eu, assim como que uma borla que nos deram para um espectáculo que terminou quando caíu a cortina de ferro.
E como naqueles espectáculos ronceiros e tristes que passam nas aldeias e que a intempérie faz adiar trazendo tristeza ao garotos, que vão sendo animados com o engodo de que será um adiar passageiro, também a nós nos vão dizendo que será temporário. E muito temporário, direi eu.
No fundo será como suspender a democracia um bocadinho. Seis meses, vá.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Hoje é segunda-feira
Hoje é segunda. Aviso, pois pode haver quem ainda não tenha percebido. Isto está tudo uma chatice: os jornais, os colegas, as pessoas que vão ao café, as que andam aí pela rua e não desfazendo também os que andam aqui no facebook. Provavelmente precisamos de qualquer coisa que nos agite e por conseguinte nos tire da letargia. Ah, mas isso ... talvez só amanhã.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
abaixo as vuvuzelas
Como Martin Luther King, I have a dream - e então perguntar-me-ão — e qual é esse sonho? E eu responderei — um sonho simples; que na primeira contrariedade, os pais portugueses partam aquelas queridas “vuvuzelas” na mona dos seus rebentos. E agora, que encerraram algumas urgências pediátricas, quem sabe se o sofrimento dos rebentos não será equivalente ao que eles nos infligem com aquele som deprimente de burro a zurrar (e que me perdoem os burros, coitadinhos).
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Mário de Sá Carneiro
Boa tentativa — cobrar impostos com retroactividade
terça-feira, 18 de maio de 2010
ALARME?
Os comentadores estão assustados? os banqueiros? nós?
Cruzamos leituras para tentar ver para além do que é dito e do que conseguimos perceber, mas não é fácil; as palavras de aviso do Presidente da República, os dados estatísticos a quererem dizer que a economia do país está a crescer e que o desemprego diminui.
—Diminuiu o desemprego? Ou deixaram de receber subsídios a 1 leva de desempregados, (início do ano de 2007)?
— Seja lá o que for não é claro.
O Figaro de hoje traz alguns esclarecimentos assustadores sobre o Plano de Ajuda.
A primeira pergunta de onde vêm os 75o milhões de euros?
Ficamos a saber que 500 são da União Europeia e 250 Fundo Monetário Internacional e que os euros da União Europeia não existem, pelo menos por agora. Os Estados vão arranjar o dinheiro para ajudar os que não podem pagar as suas dúvidas. Mas como ninguém dá nada a ninguém será necessário pagar com juros e encetar medidas de austeridade severa.
O artigo do FIGARO refere que os países que se encontram em situação crítica são Espanha e Portugal, que vem bem destacado com uma chamada de atenção.
O mundo mudou é um facto, mas resta-nos tentar perceber como vão ser as nossas vidas no futuro.
